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Afroempreendedorismo: os desafios dos empreendedores negros 

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Índice do artigo

Afroempreendedorismo
Foto:Freepik

No Dia da Consciência Negra, o Aprenda a Investir traz uma discussão pouco percebida e fomentada diante do mercado, o chamado Afroempreendedorismo. Ainda que este assunto precise de mais discussões sempre que possível, em dias importantes, como 20 de novembro, a gente faz questão de dar um destaque mais especial.

Empreender não é algo fácil, na realidade é bastante burocrático, principalmente quando levamos em consideração um país como o Brasil. Afinal, existe uma série de dificuldades por trás deste processo e a carga tributária elevada é uma delas.

Mas as questões não param por aí! Além dos altos impostos, a população negra enfrenta situações ainda mais complicadas na hora de empreender, o preconceito racial e a dificuldade de ter acesso a crédito são dois dos obstáculos mais encontrados por esse público.

Ao longo deste texto, você ficará por dentro de diversos aspectos importantes sobre o Afroempreendedorismo, confira!

 

O que significa Afroempreendedorismo?

Não é segredo que os negros são maioria da população brasileira, dessa forma, além da discussão sobre representatividade, é fundamental trazer a pauta sobre proporcionalidade.

Sendo assim, deveria ser normal encontrar negros em qualquer profissão, nível hierárquico, classe ou qualquer outra esfera da vida, já que compõem mais da metade dos indivíduos no Brasil. Nesse sentido, eles também teriam as mesmas oportunidades e chances que qualquer outra pessoa. Ou seja, acesso à informação, educação, oportunidades, entre outras coisas.

Portanto, o Afroempreendedorismo aparece com o intuito de buscar essa equidade para os negros, de modo que os mesmos consigam se fazer presentes perante o mercado, tendo representatividade e deixando a sua marca no Brasil e no mundo.

Em suma, é uma categoria de negócios orientada para a valorização e evolução do empreendedor negro, sendo ele uma possibilidade em potencial para esse mercado.

 

Pesquisa Afroempreendedorismo Brasil

A Pesquisa Afroempreendedorismo Brasil, desenvolvida em parceria pela Inventivos, Movimento Black Money e RD Station, foi realizada durante os dias 12 e 21 de maio de 2021 e coletou informações significativas sobre o assunto.

Levando em consideração os dados econômicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Locomotiva, atualmente, mais da metade da população brasileira, cerca de 56%, se considera preta ou parda. Somado a isso, a diferença de renda entre negros e brancos é de 40% e o percentual de pretos empreendedores é de 51%.

Diante desses dados foi possível destacar alguns pontos importantes do Afroempreendedorismo. São eles:

  • a monetização e as estratégias digitais estão entre as principais dificuldades dos negócios dos negros;
  • o chamado cloud, universo tecnológico, é predominantemente branco;
  • a necessidade financeira é o motivo principal para a abertura de empreendimentos da população preta.

Dados divulgados pelo GIFE – Grupo de Institutos Fundações e Empresas, associação dos investidores sociais do Brasil, revelaram que mais de 70% desse grupo estão em situação de extrema pobreza, o que já evidencia uma desigualdade entre brancos e negros.

A partir de dados como esses, não fica difícil perceber que o Brasil enfrenta um racismo estrutural em diversos setores, como jurídico, político, econômico, educacional e, principalmente, profissional.

 

O Afroempreendedorismo e a dificuldade em adquirir crédito

Pelo que foi visto até aqui, não é surpresa que uma grande parte da população brasileira, ou melhor, de negros, enfrentem mais obstáculos para se tornar empreendedores. E o motivo está, na maioria das vezes, na hora de ter o crédito liberado pelos bancos para dar início ao negócio.

Recorrer a empréstimos nas instituições financeiras é um processo que demanda análise. Ou seja, o banco precisa conhecer o perfil do consumidor, se ele é um bom pagador, tem o nome limpo e também confere o seu score – pontuação gerada pelos hábitos de pagamento e relacionamento da pessoa frente ao mercado de crédito.

Entretanto, no caso da população negra, a cor da pele costuma ser uma burocracia a mais nessa operação, devido ao racismo enraizado na sociedade brasileira. Nesse sentido, o setor bancário geralmente dificulta a liberação de crédito para essas pessoas que querem empreender, mesmo apresentando bom score e nome limpo.

 

Fonte: AFROEMPREENDEDORISMO BRASIL

 

A Pesquisa Afroempreendedorismo Brasil também destacou que 40,4% dos entrevistados, relataram que os maiores contratempos nesse universo estavam no processo de concessão de créditos, seguido do racismo, com 30,7%.

 

O crescimento do Afroempreendedorismo

Segundo dados coletados por um estudo chamado Empreendedorismo negro no Brasil, realizado pela aceleradora de empresários negros PretaHub, da Feira Preta, em parceria com a Plano CDE e o JP Morgan, o Brasil detém mais de 14 milhões de empreendedores negros, responsáveis por movimentar mais de R$1 trilhão por ano no país.

Quando o número está relacionado à quantidade de brasileiros donos de negócios, temos mais da metade, em média 51%, representado por empreendedores pretos ou pardos. Desta parcela, 52% é composto pelo público feminino.

É importante mencionar que a dificuldade deste público em encontrar produtos e serviços voltados para as suas necessidades particulares, como acontece no âmbito dos cosméticos especializados, é um fator que motiva muitos negros a empreender.

Dessa forma, eles criam negócios específicos para atender às demandas de mulheres, homens e crianças pretas. Afinal, o mercado sempre deu prioridade para o público branco, desconsiderando os negros, tudo isso devido ao racismo que ainda perdura na sociedade brasileira.

É aí, que os segmentos como a indústria e os estabelecimentos comerciais com foco em produtos cosméticos e acessórios para negros são os mais procurados por eles na hora de começar um empreendimento.

O crescimento de negócios destinados a esse público também é fruto de uma tomada de força e consciência dos mesmos para reconhecer a sua potência por meio das atividades realizadas por diversos movimentos.

Em suma, é perceptível que o Afroempreendedorismo é fruto de uma necessidade dos negros de se verem representados no mercado como um todo. Além disso, é uma maneira de obter sucesso profissional, caminhando para um mundo mais inclusivo e sem desigualdade racial.

 

O empreendedorismo negro e a pandemia

Entre setembro e outubro de 2020, o Sebrae realizou a oitava edição da pesquisa sobre o impacto da crise sanitária nos empreendimentos brasileiros. Nesse levantamento, foi constatado que os empreendedores negros tiveram mais prejuízos do que os brancos ao longo da pandemia e, mesmo depois da reabertura do comércio e do início da flexibilização das medidas protetivas, a dificuldade permanecia.

De acordo com a pesquisa, 18% dos empreendedores pretos e pardos permaneciam com seus negócios fechados ou interrompidos, enquanto os brancos atingiam um patamar de 15%. Ainda que a diferença pareça pequena, existem disparidades em outros aspectos, até mesmo antecedentes à crise sanitária.

Entre a população negra, 76% informou ter tido uma redução no faturamento, já os brancos representavam 73% desse público. No quesito dificuldade para manter o negócio, os negros eram 46% e os brancos 41%. Quando o assunto são as dívidas em atraso, a população preta era 36% e os brancos 27%.

E, por fim, apenas 12% dos negros conseguiram adquirir um crédito bancário, contra 18% dos brancos. Nesse último caso, é possível comprovar a dificuldade que os pretos possuem na hora de obter um empréstimo aprovado nas instituições financeiras.

 

Pandemia + Racismo estrutural

A soma da conjuntura pandêmica com todo o contexto de racismo estrutural brasileiro, facilita a compreensão de que os empreendedores negros acabam saindo na desvantagem. E, como resultado, a motivação deste público pode acabar diminuída pelas circunstâncias adversas.

Outro ponto impactante da pandemia foi a aceleração da necessidade de digitalização empresarial. Infelizmente, segundo a pesquisa do Sebrae, essa é uma adaptação em que os negros estão menos preparados.

Ainda de acordo com a Pesquisa Afroempreendedorismo Brasil, os negros enfrentam obstáculos, ou seja, 50,9% desconhecem as estratégias digitais e 59,2% não estão por dentro dos métodos para tornar seus negócios rentáveis.

Além disso, vale o conhecimento de que se os empreendedores negros apresentarem um desempenho piorado nos seus empreendimentos, é o mesmo que dizer que mais da metade dos negócios no Brasil sairão prejudicados.

E, como consequência, há chances de retroceder, afinal, de acordo com o Sebrae, a população preta está à frente de 51% das empresas brasileiras.

 

Movimento Black Money

Atualmente, existe o chamado Movimento Black Money, uma espécie de ecossistema negro cujo objetivo é estimular o consumo intracomunidade, além dos pilares importantes para  desenvolvimento do Afroempreendedorismo.

Nele, a comunicação, educação e geração de negócios acontece em prol desse público, para que os mesmos consigam letramento das características importantes para o universo empreendedor e do mindset de inovação no ramo dos negócios.

Dessa forma, a população preta é capaz de estimular seu potencial e apresentar diferenciais altamente competitivos frente ao mercado como um todo. A partir do Black Money acontece a fomentação dos principais catalisadores para a evolução dos negócios da comunidade negra.

 

Considerações finais

Como vimos até aqui, a população negra no Brasil é maioria e, por isso, o Afroempreendedorismo é capaz de movimentar significativamente o mercado como um todo.

É importante ressaltar que o progresso do empreendedorismo negro só tende a trazer benefícios, como fomentar a diversidade social e, claro, a contratação de mais pessoas pretas. Esse movimento ajuda a combater a desigualdade racial que ainda perdura no território brasileiro.

Ter um olhar mais consciente, isento de preconceitos raciais ou de qualquer outro tipo e estar atento para a questão do Afroempreendedorismo é algo crucial e que já deveria estar em patamares muito mais avançados do que atualmente. O incentivo por crédito solidário e a construção de cooperativas de promoção deste negócio, é algo a ser pensado constantemente e não só no Dia da Consciência Negra.

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