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Do escambo às criptomoedas: uma breve história sobre as transformações do dinheiro

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Atualmente, muito se fala sobre as novas moedas disponíveis no mercado, as criptomoedas são um exemplo disso. Porém, esse movimento pode gerar alguns questionamentos sobre como o conceito de dinheiro surgiu, ou até mesmo o motivo de um pedaço de papel ou dado digital ter tanto valor.

Inicialmente, tudo começou com o simples princípio de troca direta, mas ao longo do tempo, o ser humano foi evoluindo e, com ele, a forma de fazer as transações, sempre com o objetivo de garantir a segurança e a praticidade do dinheiro, também.

Antigamente, para que o dinheiro fosse realmente considerado valioso, era preciso que ele estivesse sob a forma de algo que durasse muito e que respeitasse dois pré-requisitos: ser relativamente raro e requisitado, ou seja, que todo mundo quisesse.

Até chegar à forma que conhecemos hoje, o dinheiro passou por muitas modificações.

Escambo

No início da civilização, o comércio era na base do escambo, que nada mais era do que a troca de mercadorias. Essa foi a maneira que as pessoas encontraram de conseguir adquirir os produtos que elas não tinham como produzir sozinhas.

No passado, os indivíduos produziam alimentos e ferramentas somente para o seu próprio sustento, como arroz, feijão e outras mercadorias. Quando produziam determinados produtos em excesso, eles trocavam entre a comunidade. Os escambos eram feitos por bens equivalentes e qualquer coisa poderia ser aceita como passível de representar a outra.

Cada país, para facilitar o processo de troca, buscava uma maneira única de transação. Na Babilônia, por exemplo, foram criados os “tabletes da Babilônia”. Apesar de ser uma maneira criativa de efetuar trocas, não funcionou por muito tempo. Os tabletes eram feitos de grãos, que eventualmente estragavam.

No estado americano da Virgínia, o tabaco foi a moeda corrente mais usada desde a sua fundação como colônia, em 1607, até 200 anos depois, quando os Estados Unidos já eram um país rico e sólido.

Era com o tabaco que as pessoas faziam compras, pagavam impostos e inclusive compravam suas esposas. Os rapazes da Virgínia iriam para o porto quando um barco chegava de Londres, cada um carregando um rolo do melhor tabaco nos braços para impressionar as mulheres do navio. O problema era que o rolo de tabaco era bastante pesado para carregar.

Sal: uma importante moeda de troca

Abordando esses dois problemas, do peso e das chances de o produto estragar, o sal acabou virando uma importante moeda de troca. Deu tão certo que a origem da palavra “salário” vem disso, pois a remuneração que os legionários romanos recebiam era na forma de sal, e surgiu a palavra. Esse tipo remuneração durou por todo o Império Romano, aproximadamente cinco séculos.

Com o passar do tempo, diversas mercadorias tiveram seu valor de mercado e transformaram-se em moeda de troca: sal, boi e açúcar são alguns exemplos. Entretanto, com o decorrer dos anos, essa forma de negociação não foi mais dando certo, isso porque não havia como guardar essa “riqueza”, já que os alimentos eram perecíveis.

Além disso, conforme a sociedade se desenvolveu, novas profissões e produtos foram criados. Dessa maneira, já não era mais fácil determinar a troca justa entre um produto e outro.

Como o escambo se tornou mais complexo, surgiu a necessidade de algo que pudesse facilitar o comércio. A melhor forma de conseguir guardar e acumular riqueza foi com a descoberta do metal, no início com o cobre, ouro, prata e bronze. Depois de um tempo, houve uma padronização no formato e tamanho desses metais.

Moedas de metal

Foi no século VII a.C que surgiram as primeiras moedas feitas de metais preciosos na Lídia, atual Turquia. O primeiro metal usado em grande escala pela humanidade foi o cobre, que obtinha uma vantagem sobre os sacos de grãos, o sal ou qualquer outra mercadoria: durava bem mais. Dessa forma, dava para acumular cobre à vontade sem estragar.

Ouro, prata e bronze começaram a ser mais usados porque, no caso de pessoas e grupos sociais que não convivem de perto, o que é mais comum no comércio, o valor intrínseco desses metais funciona como um seguro.

Com a evolução da moeda, também surgiram novos problemas como, por exemplo, em qual local armazenar o ouro. A necessidade de guardar as moedas em segurança deu surgimento aos bancos.

Durante a Idade Média, em diversos países ao redor do mundo, surgiu o costume de guardar moedas com os negociantes de ouro e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço. Eles passaram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de seus clientes e, como garantia, era entregue um recibo das quantias guardadas.

Vale dizer que esses recibos, conhecidos como “goldsmith’s notes”, passaram, com o tempo, a servir de meio de pagamento para seus possuidores, pelo fato de serem mais seguros de portar do que o dinheiro vivo. Isso é parecido com o processo que acontece hoje, quando se deposita o dinheiro no banco e, depois, usa o cartão para resgatar.

Cédulas de papel moeda

Aos poucos esses comprovantes passaram a ser usados para efetuar pagamentos que circulavam no comércio. Assim, surgiram as primeiras cédulas de “papel moeda”, ou cédulas de banco, ao mesmo tempo em que a guarda dos valores em espécie dava origem a instituições bancárias.

Os primeiros bancos reconhecidos oficialmente surgiram, respectivamente, na Suécia em 1656, na Inglaterra em 1694, na França em 1700 e no Brasil em 1808. Com o surgimento dos bancos, essas instituições assumiram para si a função de emitir moedas de papel, que foram chamadas também de Bilhetes de Banco.

Sendo assim, as cédulas em papel são impressas pelos Bancos Centrais dos respectivos países e, geralmente, têm inscrições em sua língua. Aos poucos, como já acontecia com as moedas, os governos passaram a controlar a emissão de cédulas de dinheiro para evitar as falsificações e garantir o poder de pagamento. Atualmente, quase todos os países possuem seus Bancos Centrais, que são encarregados de emitir cédulas e moedas.

Padrão Ouro

A evolução do dinheiro era uma necessidade, afinal, o mundo estava se desenvolvendo. As sociedades ficaram mais modernas, e as nações interagiam entre si com mais frequência.

Porém, se cada país tivesse o seu modo de fazer a sua própria moeda, na hora de realizar o comércio em outra região, como era definido o valor de cada moeda? A resposta para essa questão foi resolvida no século 19, com o Padrão Ouro.

O Padrão Ouro foi o sistema monetário internacional do século 19 até a Primeira Guerra Mundial. A quantidade de ouro era a referência para a definição do valor da moeda de cada país. O sistema tinha foco nas relações entre moeda e níveis de preço, considerando os fenômenos de inflação e deflação.

Neste padrão, era obrigatório que cada nação mantivesse uma parte de seus ativos em forma de ouro, criando reservas financeiras. O regime cambial era fixo, isso significava que o valor da moeda de cada país era fixado conforme a quantidade de ouro que ele detinha.

Em outras palavras, a moeda era lastreada a partir dos estoques de ouro. Nesse modelo monetário, as transações financeiras entre países eram feitas em forma de ouro ou em uma moeda que pudesse ser convertida no material.

É importante dizer que o Padrão Ouro foi crucial para a integração da economia internacional, até porque ele gerava uma estabilidade que facilitava o comércio, os investimentos, as finanças, a migração e as viagens internacionais.

Fim do Padrão Ouro e o início da moeda lastreada na confiança

O sistema teve seu fim em 1914, devido ao cenário econômico propiciado pelo surgimento da Primeira Guerra Mundial. Naquela época, as potências econômicas tiveram alta demanda para emitir dinheiro, a fim de custear o conflito, e os governos financiavam os gastos militares a partir da emissão de moedas.

Consequentemente, os preços foram aumentados devido à redução da força de trabalho e da capacidade produtiva. Com o fim da guerra, as reservas de metal praticamente se esgotaram.

Em 1944, houve uma tentativa da segunda fase do Padrão Ouro cujo objetivo era definir novos parâmetros da economia após a Segunda Guerra Mundial. Uma das medidas foi a definição do Dólar norte-americano como a moeda padrão para as negociações internacionais, tornando-se um valor de referência para os demais países.

O sistema foi extinto em 1971 pelo presidente dos EUA, Richard Nixon. Sendo assim, a paridade dólar-ouro teve seu fim, criando um sistema flutuante para a economia.

Atualmente, a moeda é lastreada com base na confiança. O lastro é uma garantia implícita para um ativo principal. Basicamente, confiamos que a moeda nos permitirá satisfazer as expectativas clássicas da moeda, que é manter o valor da prestação que damos em troca e servir de intermediação em uma nova troca por uma determinada quantidade equivalente.

Progressivamente, as formas mais tradicionais vêm sendo substituídas pelo conhecido dinheiro de plástico.

Nos dias de hoje, além do dinheiro vivo, impresso em cédulas reguladas pelo Governo, o comércio também usa outros mecanismos financeiros de intenção de pagamento, como o cheque e o cartão de crédito/débito. Essas tecnologias foram criadas para dar mais praticidade e segurança para as transações. Já incorporados no nosso cotidiano, os cartões de débito ou crédito, têm várias funcionalidades.

Criptomoedas

Presentemente, a moeda mais recente criada e que vem ganhando cada vez mais espaço no cenário mundial são as criptomoedas. Também chamadas de moedas digitais, elas funcionam de maneira descentralizada, ou seja, não dependem de governos ou de bancos para exercer o controle. É válido mencionar que muitos consideram as criptomoedas como as moedas do futuro.

Os Bancos Centrais, com receio de ficar para trás, estão no processo de criação de sua própria moeda digital. A promessa é de um sistema de pagamento mais seguro, resiliente e barato que as alternativas privadas. Os Bancos Centrais das Bahamas, da União Monetária do Caribe Oriental e da Nigéria já se tornaram pioneiros na moeda digital dos Bancos Centrais (CBDC), enquanto a China, a zona do euro e outros ainda estão experimentando o setor.

Como seria o dinheiro digital de um Banco Central?

Em suma, é possível dizer que seria muito parecido de manter o dinheiro convencional em uma conta bancária e usar cartões, smartphones ou aplicativos para fazer transferências. Entretanto, a principal diferença é que o dinheiro oferecido pelo Banco Central, em cédulas, é um ativo livre de risco.

Por exemplo: uma nota de Dólar sempre vale um Dólar, esse dinheiro está sujeito aos riscos de solvência e liquidez desse banco, o que significa que os consumidores nem sempre conseguem ter acesso a ele, ou poderiam até mesmo perdê-lo em raras ocasiões.

As CBDCs, assim como cédulas e moedas, seriam de responsabilidade direta do Banco Central, e o objetivo é tornar os pagamentos mais rápidos.

A vantagem de uma possível moeda digital do Banco Central para uma Bitcoin, por exemplo, seria a volatilidade. As criptomoedas são muito voláteis para ser uma reserva de valor, além de ser pouco aceita para efetuar pagamentos, enquanto as CBDCs são controladas por um BC.

Nessa evolução, enquanto alguns países estão estudando criar a sua moeda digital do Banco Central, outros estão testando o uso das criptomoedas. Entretanto, nesse último caso, o risco de volatilidade ainda é uma questão que demanda uma análise mais profunda e detalhada.

Considerações finais

Como vimos até aqui, o conceito do dinheiro evoluiu de uma forma significativa desde que começou a ser usado até os dias atuais. A tendência é que ele continue se adaptando de acordo com o estilo de vida das próximas gerações.

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