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Investimento em lideranças femininas faz Fundo saltar 35% em 12 meses

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Liderança feminina
Foto: Freepik

Acreditar nas mulheres em cargos de liderança em empresas de capital aberto rendeu 34,8% nos últimos 12 meses. O resultado é do Fundo Internacional de Ações Trend Lideranças Femininas, da XP Asset Management, que investe nas melhores empresas da Bolsa americana com diversidade de gênero em cargos de liderança.

A aplicação tem estratégia passiva, ou seja, replica o desempenho de um benchmark. No caso do Trend Lideranças Femininas, a referência é o ETF SHE (Fundo de Índice Estrangeiro), que seleciona entre as mil companhias com maior valor de mercado nas Bolsas de Nova York as que possuem proporcionalmente o maior número de mulheres ocupando cadeiras nos Conselhos de Administração, como CEOs ou demais cargos ‘C-Levels’.

Também existe um filtro setorial para que não haja uma superconcentração de investimentos em um único setor. O limite de exposição é de até 10% das empresas de determinado segmento. No total, são 168 companhias acessadas indiretamente pelo Trend Lideranças Femininas.

Com esse investimento em mulheres líderes, o Fundo bateu a rentabilidade do Trend Bolsa Americana, outro Fundo da casa que subiu 33,6% no mesmo período e funciona de maneira similar, mas sem o filtro de gênero.

“O desempenho pode ser em parte explicado pela exposição a setores que estão muito bem e à Bolsa americana, que está se recuperando quase que em linha reta desde o impacto da pandemia. Diversificação internacional é sempre importante, dado que o Brasil tem particularidades. Estamos perto de um ano eleitoral, que historicamente são bastante voláteis”, afirma Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico, que distribui a aplicação. “E ele foi até melhor que a Bolsa americana, o que mostra a importância da diversidade”, completa.

Segundo Zogbi, há certo ceticismo quando esse tipo de produto é lançado, mas os resultados já mostram que a diversidade é importante não somente no ponto de vista de sociedade, mas de resultados. “No longo prazo, as empresas que se preocupam com diversidade têm mais chances de desempenhar acima da média. Diversos estudos já mostram que ter pontos de vistas diferentes na liderança de uma empresa traz mais inovação”, explica a especialista.

Os setores aos quais o Fundo tem mais exposição são tecnologia (30,78%), consumo cíclico (15,47%) e saúde (15,47%). A empresa que tem a maior fatia dentro da aplicação, por sua vez, é o PayPal, com 5,47% de exposição, seguido pela Visa (4,93%) e Johnson & Johnson (4,84%).

 

Composição por Empresas

PayPal
5,47%

Visa
4,93%

Johnson & Johnson
4,84%

Texas Instruments
4,84%

Netflix
4,67%

Walt Disney
4,16%

Nike
3,25%

Intuit
3,19%

Zoetis
2,55%

Wells Fargo
2,31%

Outros
40,20%

 

Composição por Setor

Tecnologia
30,78%

Consumo Cíclico
15,47%

Saúde
15,16%

Financeiro
12,15%

Bens Industriais
11,88%

Consumo Não-Cíclico
7,15%

Utilidade Pública
2,92%

Energia
2,31%

Materiais Básicos
2,17%

 

Ao contrário de BDRs (recibos de empresas estrangeiras negociados no Brasil), por exemplo, o Fundo tem proteção contra a variação cambial. Parte da taxa de administração de 0,5% também é doada para a para o Instituto As Valquírias, que educa meninas em situação de vulnerabilidade social, com foco em combater o trabalho infantil, prostituição e tráfico de drogas.

“Dado que é muito difícil criar produtos como esse com empresas brasileiras, já que a representatividade aqui é muito menor, o time que criou esse fundo achou importante também estimular a formação de meninas e mulheres”, explica Zogbi.

Atualmente, a aplicação mínima é de R$ 100 e o Fundo possui 4.483 cotistas, com patrimônio líquido de R$ 38.2 milhões. A volatilidade é pouco mais baixa que os pares, de 14,7% ao ano, menor do que a do Ibovespa, de 21,02% ao ano. “Ele tem volatilidade menor que um fundo estrangeiro sem proteção cambial, mas não deixa de ser de Renda Variável. As pessoas tem que saber o perfil de risco delas antes de investir e o indicado é que invista com prazos mais longos, de pelo menos cinco anos”, afirma a analista.

 

Desigualdade de gênero no Brasil

Porém, o mercado financeiro brasileiro ainda fica muito aquém do americano quando o assunto é diversidade de gênero. Em março, a única empresa listada na B3 com mais mulheres que homens dentro do Conselho de Administração era a Enjoei (ENJU3). O estudo feito pela Teva Índices em parceria com a Easynvest também revelou que dos 1.504 assentos de conselho analisados, apenas 177 eram ocupados por mulheres (11,8%).

De acordo com a instituição 30% Club e a consultoria e auditoria EY, quatro em cada dez empresas que abriram capital na B3 entre junho de 2020 e junho de 2021 não tinham nenhuma mulheres em seus conselhos de administração. A realidade também é a mesma para os cargos de CFOs (diretores financeiros), ocupados majoritariamente (85%) por homens brancos, segundo estudo divulgado pelo Insper.

Apesar de o caminho até a igualdade ser longo, pouco a pouco o panorama vai mudando. “Quando lancei o primeiro relatório desse Fundo, teve muita gente que falou que não fazia diferença ter liderança feminina ou não, mas vimos que a aplicação desempenhou melhor, teve diferença sim”, afirma Zogbi.

No mercado financeiro nacional, a participação das mulheres aumenta gradualmente. Em 2019, existiam apenas 388 mil investidoras na Bolsa. Já em 2021, o número já passa de 1 milhão, um avanço de 181% em dois anos.

“Ao passo que o número de investidoras aumenta, também aumentam o número de gerentes de conta, assessoras de investimento, diretoras, superintendentes. São mulheres que estão ganhando espaço e deixando sua marca no mercado, apesar de todos os desafios que enfrentam, muitas vezes, apenas por serem mulheres. Essa é uma tendência que irá se expandir muito mais nos próximos anos”, afirma Daniela Schulz, formada em Ciências Contábeis e detentora das certificações CPA-20, CEA e Ancord em comunicado à imprensa.

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