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Meu time do coração vai virar uma empresa? Entenda melhor sobre o IPO de clubes no futebol brasileiro

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Índice do artigo

IPOs de clubes no futebol brasileiro
Foto: Pixabay

Essa não é uma pauta nova para o futebol europeu, já que por lá é comum que os times de futebol sejam empresas de capital aberto na Bolsa de Valores, tendo ativos em negociação no mercado acionário. Alguns exemplos são o Manchester United, clube da Inglaterra, e a Juventus, time italiano.

Mas você, como brasileiro e amante do futebol, já imaginou seu clube sendo uma empresa listada na B3? Será que isso é possível?

Bom, isso é o que vai saber ao longo deste artigo. Boa leitura!

Futebol Brasileiro na B3?

Times como Flamengo, Vasco, Corinthians e Palmeiras são avaliados com um capital bem maior do que muitas empresas espalhadas pelo Brasil e até mesmo das que já fazem parte da Bolsa de Valores. Por isso, nos últimos meses, há um burburinho muito grande em torno da possibilidade de clubes brasileiros realizarem IPO (Oferta Pública Inicial de Ações) futuramente, que é o momento em que uma empresa começa a emitir Ações pela primeira vez na Bolsa.

De acordo com Matheus Pereira, Assessor de Investimentos da InvestSmart, o que provocou essa movimentação sobre o assunto foi a criação da Lei 14.193, cujo objetivo é autorizar que os clubes brasileiros virem Sociedades Anônimas (empresas com fins lucrativos que podem ser de capital aberto ou fechado).

“O IPO de clubes no futebol brasileiro é um assunto bem recente e pode ser um divisor de águas para o esporte nacional. A criação da Lei foi um primeiro passo, afinal, o que antes era um impeditivo para fazer uma estrutura mais organizada dos clubes como empresa, hoje é possível.”, explicou Pereira.

“Dessa forma, já é possível perceber alguns clubes criando as suas SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol). Botafogo, Cruzeiro e Vasco, que ainda não criou a SAF, mas está caminhando para isso, são alguns exemplos.”, completou ele.

Apesar de ter uma evolução de longo prazo, já existe uma movimentação por parte dos clubes para seguirem nessa direção de Sociedades Anônimas, e Matheus também destaca a ajuda que a XP está disponibilizando nesse processo de profissionalização do futebol. Isso porque a instituição financeira foi responsável por captar os investidores que compraram o Cruzeiro – o ex-jogador Ronaldo, e o Botafogo – o norte-americano John Textor.

O que muda para um clube ao virar Sociedade Anônima?

Os clubes, em geral, são empresas que costumam apresentar desorganização no administrativo, carregam muita dívida e não apresentam objetivos e planejamentos de longo prazo. Dessa forma, quando existe a possibilidade de virar Sociedade Anônima, a expectativa é de que isso mude bastante essa conjuntura.

Sendo assim, algumas mudanças aconteceriam nesse processo, e Matheus listou as mais significativas.

“A tendência é que o clube apresente uma governança melhor, além de um time mais preocupado financeiramente e com um olhar mais voltado para o longo prazo. Também não dá para esquecer da profissionalização de gestão que seria viável a partir disso.”, destacou.

Pereira também ressaltou sobre a necessidade de uma reestruturação financeira dos clubes para que o investimento neles faça sentido para os investidores.

“Hoje, alguns clubes chegam a ter dívidas quase bilionárias, além de não terem uma previsibilidade boa de resultado. O que deve acontecer nos próximos anos é o movimento de investidores colocando dinheiro nos times brasileiros. E, como resultado, fomentar mais profissionalismo no futebol e possibilitar uma reestruturação financeira dos clubes.”, concluiu o especialista.

Melhoria do desempenho dos times em campo

A partir do IPO e da entrada de investidores externos que podem contribuir para uma maior profissionalização do futebol, existe uma tendência de melhora no curto prazo. Com o tempo, a expectativa é de que os clubes sejam administrados de forma mais satisfatória e eficiente, e isso não necessariamente envolve mais investimento em jogador. Na verdade, pode promover mais responsabilidade para o clube.

Portanto, ele passaria alguns anos para organizar as finanças, mas depois disso, a expectativa é apresentar resultados melhores.

“O Athlético Paranaense é um exemplo. É um clube que apresenta uma boa organização financeira e tem uma liderança mais definida. Como consequência, tem menos dívida e acaba gerando mais resultado financeiro, mesmo com menos investimento. Isso tudo por uma boa gestão.”, esclareceu Pereira.

Desempenho em campo X Volatilidade dos ativos

Ao pensar nos ativos de um clube de futebol listado na B3, um questionamento que pode vir à tona é: será que a performance do time em campo seria um dos grandes fatores para a volatilidade das Ações?

“Sem dúvida, quanto mais campeonato o clube ganhar, mais retorno financeiro ele terá. Portanto, se as contas do time estiverem controladas, o desempenho em campo fará o resultado financeiro melhorar. E isso também ocasiona a melhora de receitas com bilheteria e sócio torcedor.”, respondeu Matheus.

“E o contrário também é verdadeiro, se o clube começa a ter uma performance ruim, não consegue ganhar campeonato ou vender jogador, impacta na receita e com certeza na volatilidade das Ações.”, completou.

O que os times europeus listados na Bolsa podem ensinar?

Como falamos anteriormente, na Europa, a presença de clubes de futebol na Bolsa de Valores já é uma realidade e, por sinal, bastante antiga. Por isso, é possível analisar o desempenho dos mesmos dentro desse ambiente da Renda Variável.

O primeiro time de futebol a abrir capital no continente europeu foi o Tottenham, de Londres, no ano de 1983. Naquela época, havia o chamado Índice Stoxx Europe Football, responsável por calcular a performance de clubes europeus. Entretanto, no segundo semestre de 2020, ele foi descontinuado.

Atualmente, existem alguns times que negociam seus ativos nas Bolsas de Valores do continente, dentre eles estão o Manchester United, da Inglaterra; Benfica, Porto e Sporting, ambos clubes portugueses; Roma, Lazio e Juventus, italianos; Borussia Dortmund, da Alemanha; e Ajax, da Holanda.

De maneira geral, os clubes da Europa não apresentam um comportamento satisfatório nas Bolsas, levando em consideração o longo prazo. E isso é explicado pelo fato de os papéis serem impactados pelo desempenho ruim dos times em campo.

Nesse sentido, a lógica econômica fica um pouco ofuscada, afinal, os clubes tendem a não poupar esforços e nem mesmo dinheiro para conquistar os títulos dos diversos campeonatos que disputam. E vale destacar que os gastos são bem altos.

Entretanto, existiram casos de sucesso de clubes europeus na Bolsa, um exemplo disso é o time inglês Manchester United. Em 2005, o time foi capaz de representar mais da metade, 55%, de todo o mercado acionário de clubes de futebol no mundo.

Na época, o objetivo do Manchester era crescer a marca em escala global, gerando receitas comerciais globais sólidas e controle de custos significativamente rígidos. Por fim, isso ocasionou um retorno positivo para os acionistas.

E no Brasil, qual a expectativa?

O IPO de clubes no futebol brasileiro não é uma expectativa de curto prazo. Segundo Matheus, esse é um processo que pode demorar uma média de 3 ou 4 anos até que o primeiro clube de futebol brasileiro entre na B3.

Quando questionado sobre os impactos positivos e negativos dessa abertura de capital dos times, o especialista da InvestSmart explicou que é sempre positivo a entrada de novas empresas na Bolsa, afinal, isso reflete em mais negócios e um capital girando.

Entretanto, nem só de flores viveria esse movimento, isso porque o futebol é uma paixão nacional, e quando se coloca retorno financeiro em um fanatismo, pode dificultar o caminho.

“Fica uma situação complicada, porque o time precisa gerar lucro, mas a sua missão, desde sempre, é ganhar campeonato. Então, essa é uma das principais dúvidas quando surge o questionamento sobre a movimentação do IPO de clubes no futebol brasileiro. Quando você coloca um clube virando uma empresa, a prioridade muda para fazer dinheiro e não ganhar campeonato, e essa não é a premissa principal do futebol.”, concluiu o Assessor.

Considerações finais

Assim como qualquer novidade, é preciso entender os prós e contras e aguardar as cenas dos próximos capítulos (ou dos próximos jogos) para tornar a compreensão e análise mais clara e realista.

Portanto, quando o assunto é o IPO de clubes no futebol brasileiro, não há nenhum prazo estabelecido para que isso aconteça. Mas os primeiros passos nessa direção já foram dados e vale ficar de olho nesse mercado para acompanhar os desdobramentos que ainda estão por vir.

 

Veja mais:

IPO: o que é e como funciona?

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