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Por que a guerra contra a Ucrânia está turbinando os lucros da Rússia

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Rússia
Foto: AP

Ao mesmo tempo em que intensifica a crise alimentar global, a guerra da Rússia contra a Ucrânia colocou o país invasor entre os maiores beneficiados da confusão que ele mesmo ajudou a criar.

A guerra impediu as exportações de grãos da Ucrânia pelo mar, deixando de fornecer suprimentos vitais para países da Somália ao Egito. A interrupção, agravada pelo clima quente e pelas secas que estão prejudicando as colheitas de trigo em outras partes do mundo, fez os preços dos grãos subirem para níveis quase recordes e está ameaçando causar fome em partes do Oriente Médio e no norte da África.

A Rússia continuou a exportar seu trigo, agora a um preço mais alto, encontrando compradores interessados e arrecadando mais por tonelada.

O país também espera uma safra excelente de trigo na próxima temporada, sugerindo que continuará lucrando com a situação.

Os preços globais do trigo aumentaram mais de 50% este ano e o Kremlin arrecadou US$ 1,9 bilhão em receitas com impostos de exportação de trigo nesta temporada, segundo estimativas da SovEcon, consultoria agrícola de Moscou.

“Isso é usar comida como arma de guerra por meio da influência global, em vez de atacar diretamente uma população”, disse Tim Benton, diretor de pesquisa para riscos emergentes da organização sem fins lucrativos Chatham House, referindo-se aos comentários russos de que o país só desbloquearia o porto ucraniano de Odessa se as sanções fossem retiradas. “Do ponto de vista político, estamos em uma espécie de novo terreno por causa da importância dos mercados de grãos.”

Ao bloquear os portos da Ucrânia, a Rússia forçou o país a tentar enviar grãos por terra, o que teve como resultado exportações de apenas aproximadamente um quarto de seu potencial de volume habitual.

“A não abertura dos portos é uma declaração de guerra à segurança alimentar global”, disse David Beasley, chefe do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, no Fórum Econômico Mundial em Davos na segunda-feira. Beasley disse que a falta de acesso a alimentos talvez levasse milhões de pessoas a migrar.

Cada aumento de 1% na fome resulta em um aumento de 2% na migração, disse ele, destacando que 49 milhões de pessoas estavam “batendo à porta da fome” em 43 países.

“Esses são os 43 países com os quais devemos estar extremamente preocupados e que provocarão desestabilização e migração em massa se não nos anteciparmos a isso”, disse ele.

A Rússia e a Ucrânia são os principais fornecedores de trigo e óleo de girassol do mundo.

A Ucrânia também está entre os seis maiores exportadores de milho, frango e mel. E costumava enviar milhões de toneladas de grãos por ano através do Mar Negro, obtendo cerca de 10% de seu produto interno bruto dos setores agrícola e de alimentos. Os dois estão entre os poucos países do mundo que exportam grandes volumes de alimentos que cultivam para muitos países.

Embora a Rússia tenha se deparado com alguns problemas de curta duração imediatamente após a invasão, o país agora está entregando seus produtos agrícolas em um ritmo mais veloz do que no ano passado – com operadores internacionais como a Viterra e a Cargill ainda realizando o transporte das mercadorias. E até mesmo enviou alguns produtos para Israel, que compra com frequência da Ucrânia, de acordo com a AgFlow.

Os carregamentos russos de trigo para a temporada de 2021-22 totalizaram 34,1 milhões de toneladas na semana passada, uma redução de 11% em relação ao ano anterior, informou a Interfax.

A Rússia também afastou um concorrente importante, disse Hugo Boudet, analista da AgFlow, observando que entre 1º de abril e 23 de maio, a Rússia aumentou de forma significativa seus carregamentos de grãos para países como Turquia e Irã, em comparação com o ano passado. “A Ucrânia tem sido o principal concorrente”, disse ele.

“Juntando tudo isso, a Rússia tem uma grande vantagem nessa área devido à menor concorrência” e à redução da produção agrícola em 2022 no Oriente Médio e no norte da África. “Muitas pessoas falam a respeito das proibições de produtos russos, mas a realidade é que esses países importadores não adotaram nenhuma ação direta contra produtos agrícolas da Rússia.”

As tendências atuais provavelmente continuarão no futuro próximo. Na Ucrânia, os agricultores estão plantando para a próxima temporada sob a ameaça de bombas e até mesmo retirando cadáveres de suas terras. Já a Rússia deverá colher uma safra recorde na nova temporada graças ao bom tempo. Em contrapartida, outros grandes fornecedores de trigo, dos EUA à Europa Ocidental, estão passando por secas que ameaçam suas colheitas.

A Rússia também teve a predominância dos envios de óleo de girassol desde o início da guerra, depois que as exportações da Ucrânia pelo mar foram interrompidas.“A comida, segundo a perspectiva da Rússia, se torna um setor econômico no qual ela tem influência política e econômica”, disse Benton, da Chatham House. “Nos próximos anos, é possível imaginar a Rússia dizendo, nós cultivamos muitos grãos, nós os daremos a você, caso nos apoie.”

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que a Rússia está roubando os grãos ucranianos nas regiões ocupadas. Dois comerciantes ucranianos disseram que os militares russos confiscaram grãos e mercadorias em áreas ocupadas. O Egito se recusou a permitir que um carregamento de trigo ucraniano sem documentação desembarcasse em seus portos.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, concordou que uma crise alimentar está sendo criada, mas pôs a culpa “naqueles que impuseram sanções contra nós e nas próprias sanções que estão em vigor”. As sanções dos EUA e da Europa não miram explicitamente nas exportações de alimentos, mas algumas medidas bancárias tornaram o acesso a recursos financeiros mais complicado.

O custo do seguro e do transporte de grãos russos cresceu após a invasão devido às sanções, e os riscos de navegar no Mar Negro, onde alguns navios foram atingidos por bombardeios no início da guerra, aumentaram.

Enquanto os cofres russos estão ficando recheados com as receitas da exportação de commodities, seus cidadãos também sofrem com os rápidos aumentos dos preços dos alimentos. A Rússia pode ser autossuficiente em matérias-primas como grãos e açúcar, mas depende de importações para tudo, desde embalagens a alimentos processados e aromas e ingredientes essenciais.

Empresas estrangeiras, da Nestlé a Unilever, abandonaram suas operações ou as limitaram na Rússia após a invasão. Uma onda inicial de compras motivadas pelo pânico após o início da guerra talvez tenha perdido força, mas a inflação dos alimentos está no nível mais alto desde pelo menos 2004.

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