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Quem ganha com a união entre futebol, tokens e fãs

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Futebol
Foto: Pexels

As bolas de futebol são redondas, mesmo nos pés de quem não é craque. Já os tokens não têm formas geométricas. No entanto, são as quatro linhas no gramado que estão unindo esses dois universos.

A criptoeconomia está começando a dar os primeiros passos no futebol brasileiro. De um lado, temos uma nova economia emergente e disruptiva. Do outro, uma das maiores paixões nacionais, o futebol, com nossos cinco títulos mundiais e uma legião de craques aclamados mundo afora.

Apesar de tantos títulos e jogadores geniais, todos conhecem as dificuldades dos clubes brasileiros. A primeira delas é o alto endividamento, que vem de décadas.

Outro problema é a crise econômica brasileira, que coincidentemente se acentuou à época da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. É uma bola de neve.

O desemprego leva à queda na renda das pessoas, o que impacta diretamente o faturamento dos clubes. Não bastasse, com a desvalorização do real, nossos times não conseguem competir com os rivais europeus e seus euros.

O cenário já não era bom, e então aí veio a pandemia.

Experiências

Quando falamos de futebol e token, o exemplo que vem logo à cabeça é o do fan token. Trata-se de um veículo de engajamento puro. No ano passado, vimos alguns clubes grandes lançando os seus fan tokens.

Depois da emissão, esses ativos são listados em plataformas de cripto. Muitos causaram uma corrida tanto no dia da emissão quanto no início da negociação no mercado secundário.

Um desses casos é o do Sport Club Corinthians Paulista. Tive a oportunidade de participar de todo o processo. Todos os 850 mil fan tokens, emitidos pela Socios.com no dia 1º de setembro do ano passado, foram vendidos na primeira semana.

No dia 9 de setembro, nós demos início à negociação secundária do fan token do Timão listando-o no Mercado Bitcoin.

A negociação respondeu por 25% do volume de negociação da plataforma naquele dia, fazendo o Bitcoin e outros criptoativos mais conhecidos comerem poeira.

Ainda tem muito time grande sem um token, assim como times do interior ou médios que poderiam aproveitar esse engajamento. Torcidas apaixonadas são um prato cheio para esse tipo de iniciativa.

Outras duas experiências interessantes que tivemos foram com tokens associados ao mecanismo de solidariedade.

Esse mecanismo, criado pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) duas décadas atrás, permite que clubes formadores recebam até 5% de vendas subsequentes dos direitos federativos de um jogador que passou pelo clube durante seu período de formação, que vai dos 12 aos 23 anos. É assim com o Club de Regatas Vasco da Gama em relação ao Philippe Coutinho, por exemplo.

Coutinho foi negociado há alguns anos, mas não teve seus direitos federativos negociados pelo Vasco, mas sim por outros clubes. Entretanto, como o clube carioca formou esse atleta, ele tem direito de receber o percentual proporcional do período em que o atleta esteve nas fileiras do clube.

Assim, em momentos diferentes, criamos tokens associados a uma cesta de jogadores formados por Vasco e Santos. Para os times, carentes de fontes de receita, é bom porque conseguem adiantar uma receita futura.

Já os torcedores ajudam os clubes, ao mesmo tempo que podem ter algum lucro, caso um ou mais jogadores da cesta tenham seus direitos negociados.

Com o Vasco, os detentores do token receberam uma remuneração por causa de uma cláusula de desempenho do Philippe Coutinho com o Barcelona.

Imagine, uma cláusula de desempenho disparou o pagamento de uma remuneração para o torcedor-investidor que comprou o token. Algo que só é possível graças à tecnologia blockchain – e à engenharia financeira do produto.

Cereja do bolo

Quando olhamos para a gama de soluções oferecidas pela blockchain e o que o futebol brasileiro já utilizou, podemos dizer que o mundo da bola ainda está dentro da barriga da mãe em relação ao mundo cripto.

Enxergo inúmeras possibilidades, que vão desde o uso de tokens como ferramentas de crowdfunding para a compra dos direitos federativos de um atleta ou para a reforma de um estádio até a tokenização de receitas de vendas de ingressos.

E esses exemplos servem para a gente abordar outra característica dos criptoativos: o fracionamento. Já vimos muitos clubes receberem a ajuda de torcedores milionários para assinar contrato com um determinado reforço. Essa ajuda pode ser a fundo perdido ou simplesmente por meio de um empréstimo.

No caso de financiamento, isso contribuiu para que inúmeros times chegassem a uma dívida impagável.

Seja a fundo perdido ou por meio de empréstimo, os dois casos não me parecem ser profissionais. Não foi gerada uma receita de fato para cobrir o custo. Em teoria, dependendo do reforço, há aumento da receita de venda de ingressos e patrocínio.

Em tese!

Para piorar, é uma operação que depende de o time ter um torcedor milionário e disposto a enfiar a mão no bolso.

Essa é uma operação em que a tecnologia da blockchain caberia como uma luva: emissão de tokens representando uma fração dos direitos federativos de um atleta por valores de R$ 10, R$ 20 cada.

Quem tem mais recursos, pode comprar mais frações. Os times ainda têm a possibilidade de associar experiências de marketing. E, no caso da venda dos direitos, os donos do token seriam remunerados proporcionalmente.

E claro, os tokens sempre têm um mercado secundário à disposição, com a cotação variando conforme o desempenho do jogador.

O resumo da ópera é que os tokens podem ajudar a bola a ficar ainda mais redonda.

 

Por Fabricio Tota

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